O historiador Luís Mir teve uma grande idéia: tirar a morte de Tancredo Neves do reino da lenda e transportá-lo para a História. Tancredo foi o primeiro presidente eleito após a ditadura. Na véspera da posse, foi operado de um tumor no intestino e jamais se recuperou, não chegando a assumir o cargo. Sua morte, há 25 anos, foi cercada de mitos – inclusive o de que levou um tiro no estômago (e os devaneios vão até o local onde o fato teria ocorrido: a Catedral de Brasília).
Mir foi à fonte primária dos fatos: os prontuários médicos de Tancredo Neves. Sua primeira revelação é uma bomba: Tancredo tinha mesmo um tumor, mas seria possível escolher a data da cirurgia, já que não havia emergência. Outra bomba: o transporte de Tancredo a São Paulo, num avião sem equipamento médico, foi um erro desnecessário. Mas o livro de Mir não faz julgamentos de valor: traz apenas fatos médicos, aqueles descritos nos prontuários do dia a dia, desde a primeira internação de Tancredo até o dia de sua morte, digamos, oficial.
Pois há a terceira bomba: a rigor, a rigor, Tancredo estava morto desde o dia 19 de abril, enquanto a morte só foi anunciada no dia 21. Mas vale a pena acompanhar os acontecimentos pelo livro, que será lançado nos próximos dias.
Mir não quer fazer um lançamento oficial, apenas colocar o livro na praça. Sai logo, pela Mírian Paglia Editora de Cultura: já está sendo impresso.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=583CIR001
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03 de August de 2010
“O paciente” no observatório da imprensa




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