Contos, retratos e cenas da vida dos judeus no Brasil
De fato, numa escrita simples e contida – que poderia ser classificada de “modernista” em meados dos anos 1920, quando a maioria dos autores ainda escreviam de forma rebuscada –, Kischinhevsky soube captar a alma dos imigrantes judeus. Em alguns contos, ele mostra personagens sofridos, que não conseguiam se adaptar. Em outros, são pessoas centradas, em busca de seu bem-estar material. Todos, porém, saudosos das aldeias deixadas para trás na busca de paz e prosperidade.
A figura do clientelchik, o vendedor ambulante, é central em Novos lares. O autor conhecia bem o ofício, que também praticou ao vir para o Brasil. E é nas andanças dos personagens pelos bairros do Rio de Janeiro, por exemplo, que descobrimos coisas também do Brasil. O “Morro da Favela” é a Previdência, primeira favela carioca, que Kischinhevsky descreve com seus primeiros barracos. A “Praia Atlântica” é a orla de Copacabana… Daí a razão de este lançamento da Editora de Cultura integrar sua Coleção Brasil Memória, configurando uma ação para a divulgação e o resgate da nossa história.




